domingo, 15 de julho de 2012

Lomografia

Lomo era o nome de uma fábrica russa que em 1982 iniciou a produção maciça de máquinas fotográficas em material plástico, sem necessidade de regulação e que teria forçosamente de ter um preço reduzido. 
No entanto era uma máquina que usava o rolo fotográfico, pelo que estamos no campo totalmente analógico

Foi muito pouco conhecida na Europa ocidental,  por motivos da existência da cortina de ferro, pelo que só em 1991, dois austríacos de férias em Praga a descobriram e começaram a fazer experiências com ela.

As fotos resultantes eram muitas vezes sujeitas a revelações com líquidos reveladores impróprios para serem obtidos desvios cromáticos no sentido do magenta, do ciano, do laranja ou outra tonalidade. Além disso, as cores resultavam hipersaturadas e o contraste aumentado, parecendo fotos de há 30 ou 40 anos. Nalgumas das máquinas resultava ainda uma vinhetagem dos bordos fazendo destacar mais o centro da fotografia. Com isto se conseguia resultados muitas vezes surpreendentes.



Mais tarde o conceito de lomografia foi sendo alargado com o aparecimento de outras máquinas que tinham características particulares, como "olho de peixe", multi-imagem, panorâmicas  de 180º e de 360º, tendo ainda algumas flashs normais ou com filtros de cores, um sem fim de alternativas ao gosto do lomográfico.
O imediatismo e espontaneidade são imagens de marca da lomografia, já que parte destas máquinas não necessitam de nenhum ajuste, ou noutros casos apenas a escolha do local da colheita de imagem (sol, sombra ou noite). Mais básico era impossível

Existem mesmo 10 mandamentos que são:
1- Leva a tua Lomo onde quer que vás.
2- Usa-a a qualquer hora do dia ou da noite.
3- A lomografia não interfere na tua vida, torna-se parte dela.
4- Aproxima-te o mais possível do objeto a fotografar, se assim o desejares.
5- Não penses... lomografa.
6- Sê rápido.
7- Não precisas de saber antecipadamente o que fotografaste.
8- Nem depois.
9- Fotografa de qualquer ângulo.
10- Não te preocupes com quaisquer regras.



Para já, tanto quanto sei, e sendo o conceito inicial anti-digital, não existem ainda máquinas digitalizadas com estas características. As que existem são todas de rolo fotográfico e o seu aspecto pode ser muitas vezes confundido com máquinas de criança, com as cores muitas vezes garridas e aspeto retroNo fundo o que interessa é o resultado obtido e isso foi o suficiente para que em todo o mundo muitos milhares de pessoas agarrassem este conceito tornando-se de certa maneira uma moda.

Claro que muita gente vai aguardar que a lomografia passe a digital. Quanto a mim, na minha modesta opinião,  é só uma questão de tempo, e quando aparecer uma primeira marca a fazê-lo, as outras terão de seguir as pisadas.

Enquanto isso não acontecer, existe uma solução para o pessoal do digital que é a edição das imagens com software como o caso do photoshop. Foi isso que aqui trouxe, um efeito tipo Lomo por edição em Photoshop que mimetiza o que poderia ter sido obtido diretamente na máquina lomográfica. 


quinta-feira, 12 de julho de 2012

De volta às origens... "pinhole"

Vou falar de uma antiga técnica que permite a observação de uma imagem invertida na parede oposta ao pequeno orifício de entrada de uma câmara escura.
Essa câmara escura, também clamada estenopeica, foi aplicada à fotografia nos seus primórdios. O interessante é que a técnica é bastante simples e mesmo rudimentar, necessitando apenas de alguns materiais extremamente baratos e sem necessidade de interposição no feixe luminoso de qualquer tipo de lente.
Vou falar de dois métodos de execução...





Imagem da estátua do Eusébio no Estádio da Luz na versão côr e a preto e branco


1-
Podem-se utilizar todo o tipo de caixas, de diferentes materiais (lata, cartão, madeira, plástico, etc.), desde que sejam totalmente opacas. Inclusivamente a forma pode ser variada pelo que pode ser paralelopipédica, cilíndrica ou outra. O interior deverá ser pintado de cor negra para evitar qualquer reflexo indesejável.
Num dos lados, teremos de fazer um pequeno orifício, mas aí vai-nos surgir um primeiro problema a resolver...

Qual a dimensão do orifício?

Existe uma relação matemática entre o diâmetro desse orifício e a distância focal, que no caso da nossa caixa corresponde à distância do furo à parede contralateral onde a imagem será formada.
Uma das maneiras para conhecer o diâmetro do dito orifício é dado pela fórmula de Rayleigh

d=1,9 * Raíz de (f*c), em que f é a distância focal e c o comprimento de onda da luz que no caso da luz branca se situa à volta de 0.00055mm

Para dar dois exemplos, se a distância focal for 5 cm, o diâmetro do orifício terá de ser apenas  0.315 mm, mas se for 18 cm o diâmetro do orifício já deverá ser 0.595 mm. Se as dimensões não forem adequadas serão obtidas imagens bastante desfocadas.

Para o caso de uma distância focal pequena, esse orifício deverá ser feito por uma agulha de pequeno calibre como por exemplo uma agulha de insulina.

Na parede da caixa deverá ser colocado papel fotográfico mas em ambiente sem luz a menos que seja vermelha a que o dito papel não tem sensibilidade.

O orifício da parede contralateral deverá estar tapado, de forma a não permitir entrada de nenhuma luz antes de se fazer a exposição pretendida.

No local onde vamos fazer a nossa exposição tentamos apontar, a olho, o orifício da nossa caixa para o objeto e antes de abrir o obturador calcular o tempo de exposição que vai depender, claro está, do diâmetro do nosso furo, das condições de iluminação do objeto e também da sensibilidade do papel fotográfico (ISO).

Depois de feita a exposição que termina quando o orifício é novamente obturado, teremos de revelar para podermos ver o nosso trabalho
O nosso papel terá de passar por 4 líquidos diferentes em sequência que são: em primeiro lugar, o  revelador durante 2 a 4 minutos com controlo visual, seguidamente outro líquido a que chamamos "stop", e que é uma mistura de ácido acético com água a 1% durante 30 a 60 segundos, seguidamente o fixador durante cerca de 4 a 5 minutos, após o que se procede à lavagem com água...

A história não está acabada, pois a imagem ainda é um negativo...
Para inverter temos 2 métodos, o clássico em que se junta um outro papel fotográfico àquele que nós produzimos anteriormente e após uma exposição à luz se produz uma réplica negativa do nosso negativo ou seja obtemos assim a imagem correta do nosso objeto. Claro que ainda falta a passagem pelos 4 líquidos para revelar e fixar a fotografia, tal como descrito mais acima. Ufa!!!
Este procedimento pode tornar-se mais simples fazendo um "scaning" do negativo e depois com um programa de software  como o photoshop, fazer a inversão da imagem.

Claro que a imagem tem alguma falta de nitidez, mas a maneira de a obter com materiais tão primitivos tem algo de mágico e etéreo.

2-
Agora os meus amigos acham que foi assim que eu fiz a minha primeira imagem de pinhole?
Eu fiz alguma batota saltando alguns dos passos e conseguindo tornar ainda mais simples a execução da obra de arte... Fiz uma simples pesquisa sobre este procedimento e com vão ver é bastante mais simples e rápido.

Material usado:
Máquina reflex sem qualquer objetiva acoplada.
Tampa da máquina reflex, na qual eu fiz um pequeno orifício no centro (mas suficientemente grande para não influenciar o percurso da luz).
Papel de alumínio (aquele que utilizamos no dia a dia para embrulhar uma simples sandes).
Fita isoladora negra.

Fiz um orifício punctiforme perfeitamente circular com uma agulha de insulina no papel de alumínio e apliquei na parte interior da tampa da máquina com a superfície menos refletora para dentro e cobri o pedaço de folha de alumínio com fita negra.
A tampa, com essa engenhoca, foi aplicada na máquina reflex e a partir daqui está pronta para ser utilizada.

Com as máquinas reflex sabemos imediatamente se o resultado da captura de imagem está correta ou não, podemos tentar com vários tempos de exposição sempre com a máquina assente num tripé ou numa base estável, pois vão-se utilizar tempos de exposição excessivos para se poder ter a máquina na mão.

No meu exemplo de imagem exterior em ambiente soalheiro, utilizei uma sensibilidade (ISO) 200 e um tempo de exposição de 1/2 segundo. 
Acresce a vantagem de a imagem poder ser gravada em JPEG ou em RAW, poder ser a cores ou a preto e branco e podermos, por tentativa e erro, e em tempo real, acertar no imediato as nossas definições, coisa que não se passa se utilizarmos o método arcaico que expus na parte inicial.
Espero que tenham gostado da exposição e dos exemplos e que um dia destes experimentem a fazer algo semelhante.

A minha máquina artilhada para fazer fotografias pinhole




Deixo aqui um link interessante (tem várias páginas)